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O papel dos pais na formação esportiva dos filhos

Por Haroldo Zwetsch Júnior


Haroldo Zwetsch posa ao lado da marca de Roland Garros, no complexo de tênis do Grand Slam parisiense.

Atualmente, vivemos em um mundo de rápidas mudanças de comportamento e atitudes, que fazem parte do processo de evolução da humanidade. Nos últimos anos, após a pandemia de 2019, essas mudanças vêm se acelerando, exigindo que tudo seja mais rápido, personalizado e cuidadoso na condução do processo de formação.


Como técnico de tênis há mais de 35 anos, tenho realizado e participado constantemente de torneios infantis e infanto-juvenis. Desde a minha adolescência, quando participava das competições, sempre houve pais mais exigentes, que cobravam resultados dos filhos, puniam-nos pelas derrotas, interferiam durante os jogos e brigavam com outros pais, causando grande mal-estar nos torneios. Por outro lado, também havia pais que incentivavam e participavam com uma postura mais saudável para seus filhos e para o esporte.


Passados todos esses anos, em que realizei mais de 200 torneios, trabalhando na formação de atletas, vivendo o dia a dia com pais e jogadores, percebo que muitas coisas não mudaram em relação ao comportamento dos pais nas competições. No entanto, com a velocidade das mudanças, uma das coisas que mais chama a atenção é que os pais parecem querer viver a vida dos filhos. Eles desejam participar de todas as ações, assistem aos treinos com frequência, acompanham todos os jogos, sempre buscando novos caminhos ou algo melhor para os filhos, como treinos, materiais, etc.


Essa verdadeira corrida contra o tempo ocorre em um esporte em que se leva muitos anos para se tornar hábil e jogar com maestria e alto nível. Nessa busca pelo melhor para o filho, muitos pais, contraditoriamente, não querem pagar por um bom ensino ou investir para que o filho tenha o melhor técnico de tênis. Isso gera uma verdadeira loucura, pois eles estão sempre insatisfeitos com o serviço contratado.


Recebo muitas ligações e converso com diversos pais que estão procurando informações sobre treinamento. Na quase totalidade dessas conversas, os pais reclamam ou falam mal do lugar onde estão, e as queixas são quase sempre as mesmas. Essa equação é muito complexa, pois, muitas vezes, os pais procuram pelo serviço, e mesmo que recebam o que está incluído nele, não querem seguir o que foi contratado. Questionam os treinos, as aulas, o professor, parecendo que nunca está bom o suficiente. Nas competições, acontece a mesma coisa, principalmente quando é feito o sorteio da chave em um torneio "não oficial". Logo que é publicada, já aparecem questionamentos sobre o adversário, alegando-se que é muito forte ou está na categoria errada, ou porque o filho não é cabeça de chave, etc.


É importante lembrar que, em um contrato de serviço de treinamento, temos três partes envolvidas para que possamos realizar um processo eficiente: técnico, pais e atletas. Todas essas partes precisam trabalhar em conjunto para alcançar os melhores resultados. Então, qual é o verdadeiro papel dos pais neste complexo ambiente de formação de tenistas?


Hoje, entendo que o papel dos pais é proporcionar um ambiente propício para o desenvolvimento dos filhos, dando-lhes autonomia para aprender a se virar dentro e fora da quadra. Os pais devem questionar primeiro o filho, antes de questionar o professor, a academia onde treina ou os organizadores dos torneios. Ao contratar um técnico de tênis ou participar de um torneio, o pai deve aprender a seguir as regras do evento e não tentar mudá-las ao seu modo.


É essencial que os pais orientem seus filhos a seguir as regras do ambiente em que vivem e participam. Ensinar que a pressa e a ansiedade não ajudam no processo de formação, mas sim causam mais angústia e desgaste ao longo do tempo. O tênis e o esporte têm muitas coisas boas para ensinar, mas é preciso que as pessoas tenham a mente aberta para aprender o que este magnífico ambiente pode oferecer, sem tentar mudá-lo de acordo com suas próprias visões.


Em resumo, o verdadeiro papel dos pais na formação esportiva dos filhos é apoiar, incentivar e orientar, proporcionando um ambiente saudável para o desenvolvimento pessoal e atlético. Isso significa confiar nos profissionais envolvidos, respeitar as regras e o processo de aprendizagem, e ajudar os filhos a lidarem com os desafios e as frustrações inerentes ao esporte. Ao adotar essa postura, os pais contribuem para que seus filhos se tornem não apenas melhores atletas, mas também pessoas mais resilientes e preparadas para a vida.


Contato do autor: (16) 99633-5454 (WhatsApp)

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